quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

vozesdaamérica.vozesdaamérica.vozesdaamérica

" Se iba apagando el día entre las piedras húmedas de la ciudad, a sorbos, como se consume
Ia-se apagando o dia entre as pedras úmidas da cidade, aos poucos, como se consome
el fuego en la ceniza. Cielo de cáscara de naranja, la sangre de las pitahayas goteaba entre
o fogo na cinza. Céu como casca de laranja, o sangue das pitahayas goteava entre
las nubes, a veces coloreadas de rojo y a veces rubias como el pelo del maíz o el cuero de
as nuvens, as vezes coloridas de vermelho e as vezes douradas como a pele do milho e o
los pumas. En lo alto del templo, un vigilante vio pasar una nube a ras del lago, casi
pêlo dos pumas. No alto do templo, um vigilante viu passar uma nuvem beirando o lago,
besando el agua, y posarse a los pies del volcán. La nube se detuvo, y tan pronto como el
quase beijando a água, e posar aos pés do vulcão. A nuvem se deteve, e tão pronto, como o
sacerdote la vio cerrar los ojos, sin recogerse el manto, que arrastraba a lo largo de las
sacerdote a viu fechar os olhos, sem recolher o manto, que arrastava ao largo das
escaleras, bajó al templo gritando que la guerra había concluido. Dejaba caer los brazos,
escadas, chegou ao templo gritando que a guerra havia acabado. Deixava cair os braços,
como un pájaro las alas, al escapar el grito de sus labios, alzándolos de nuevo a cada grito.
Como um pássaro às asas, ao escapar o grito de seus lábios, batendoa-as de novo a
En el atrio, hacia Poniente, el sol puso en sus barbas, como en las piedras de la ciudad, un
Cada grito. No átrio, em direção ao poente, o sol se pôs em suas barbas, como nas pedras
poco de algo que moría. "
da cidade, um pouco de algo que morria.
Miguel Ángel Astúrias, escritor gatemalteco em
"Lendas da Guatemala"

Um livro para gerar um outro Olhar



Em diversas situações e vezes, o olhar dos criadores sobre as realidades onde estão inseridos ou dela, de alguma forma foram, foram forçados ou escolheram sair, é um olhar determinantemente mais revelador do que a seqüência de imagens e "narrações" que são colocadas diante de nós diariamente. Os criadores, claro, são os artistas e intelctuais que puderam observar, vivenciar e pensar suas vidas, profundamente alteradas pelos fatos ao redor.

Em geral, é ainda mais interessante quando tais observações são feitas por crianças, ou sob a ótica delas. É o que torna muito interessante o livro do afegão, residente nos Estados Unidos, Khaled Hosseini, com o seu primeiro livro, "O Caçador de Pipas". Há muito que eu não lia um livro, de um escritor contemporâneo, tão interessante. A infância de Amir e Hassan, que se passa num Afeganistão pouco conhecido e lembrado (já que o ocidente não lembra de nada além terras áridas e o regime implacável dos talibãs) estimula um outro olhar sobre o país, comove com sua leitura infantil sobre lugares, culinária, lazer e brincadeiras, se destacando é claro, o campeonato de pipas como sendo a diversão mais esperada do ano.

A fidelidade e a coragem de Hassan, que contrasta com os conflitos e a timidez de Amir, ensinam muito de relacionamento, de ceder ou viver em função de alguém. Uma fidelidade que não teme nem a morte, quando toda conjuntura do Afeganistão é profundamente e barbaramente alterada pela tomada de poder dos talibãs.

Cnotraditoriamente, Amir nunca conseguiu se comportar a altura, e mesmo quando esteve diante da oportunidade de se redimir, o conflito, o medo e atimidez foram maiores, se agigantaram de tal forma, que tornou-se incapaz de corresponder. este mundo de amizade entre o Amir, rico e letrado, cheio de imaginação, e o Hassan, pobre, inocente, mas valente e de dignidade supra, ensina de tudo um pouco.

Aprendi muito com a leitura deste livro impressionante, recomendo da mesma forma, como uma maneira de enxergar oriente médio além do "barril de pólvoras", do povo "pobre coitado" que precisa de conversão. Porque é evidente que ele precisa de conversão como qualquer outro.

Ronilso Pachco

Um olhar sobre a América... e sobre Deus

Recentemente, li um artigo brilhante, um dos mais brilhantes que já li, intitulado "Por Onde Deus Caminha na América Latina?", escrito pela teóloga Ivone Gebara, para o site da Adital. Fui marcado pelo conteúdo do texto, pelo tamanho e a profundidade do alcance de sua reflexão. Em parte porque talvez nunca tivesse pensado, ou ousado pensar em Deus, sobre essa perspectiva, olhando para o meu continente. Por um lado, sou amante incondicional da América Latina, do seu cinema, sua literatura, sua arte, e, principalmente de sua música, de sua riqueza, por outro, sou, ou ao menos me considero, engajado no desafio de somar forças no desafio de comunicar a visão de Deus para mundo, para minha geração, e por que não, para o meu continente.
A pergunta de Gebara me toca, porque também gostaria de saber, por onde Deus aqui anda, mas não evidenemente questionando que Ele nos tivesse abandonado, mas corroborando a curiosidade de para onde foi, ou é, que nós, que a América Latina o relegou. É questão de saber qual é, onde se encontra, o caminho do caminhante.
Não enxergo com tanta simplicidade as dissertações sobre mundo pós-moderno, pós-tudo, multiculturalismo, e outras nomenclaturas tão atraentes quanto claras. E acho que não o faço porque a perspectiva latina não me permite com tanta facilidade. Minha geração habita um mundo complexo, minha geração é maioria na América latina e Caribe e... acreditem, nossa contemporaneidade não apresenta tanta simetria com o planeta além do Atlântico-Pacífico.
O artigo da senhora Gebara fala de um Deus que no mínimo se expressa em diversidade de rostos simples... eu acrescento sobre Deus se expressando na riqueza de linguagens diversas do povoado diverso, que compõe nossa terra do México a Terra do Fogo. No mundo inteiro... há uma geração que no fim... pergunta por Deus de alguma forma. Na América Latina ele caminha, mesmo quando não é observado, porque quando isso acontece, passa a ser o desafio de seus "acompanhantes" indicar como alcançá-lo, e a melhor forma de ser alcançado por ele, em estado de liberdade.